Por que o reconhecimento chega só em pequenas doses?
No canto da tela, um número pequeno aumenta em uma unidade. Só isso, e uma certa pessoa estica o dedo mais uma vez.
Esse movimento do dedo não carrega grande significado. O número logo volta a se acomodar por perto do mesmo lugar, e o entusiasmo do acréscimo não dura muito. Ainda assim, essa pessoa volta ali várias vezes ao longo do dia. Sem conseguir explicar direito o que está esperando, o dedo se move de novo para o mesmo ponto. Resolvi observar esse vaivém por um tempo.
Antes de encher de vez, o ponteiro é feito para parar
O reconhecimento é algo que, em tese, deveria ir preenchendo a pessoa a cada vez que ela o recebe. Um elogio traz um pouco de orgulho; ser reconhecido traz um pouco de alívio. Somando aos poucos, seria de se esperar que, em algum momento, se chegasse a um ponto de "já é suficiente". Mas, a julgar pelo comportamento dessa pessoa, esse ponto nunca se aproxima. O ponteiro fica sempre tremendo, parado um pouco antes de encher de vez.
Isso se aproxima de uma reação que nunca alcança o equilíbrio (aqui: quando aquilo que é produzido é retirado continuamente, a reação nunca chega a um ponto de estabilidade, por mais que avance). É só isso: mantém-se, indefinidamente, um passo antes de estar completo. Ninguém, provavelmente, escolheu de propósito esse ponto exato para projetá-lo ali. Alguém, em algum momento inicial, só percebeu que um estado parado bem ali era o que melhor prendia as pessoas.
Há mais uma coisa que quero registrar. Uma pessoa mantida por muito tempo nesse estado de nunca se sentir saciada acaba passando a enxergar a própria sede como parte de si mesma. Começa a sentir que a falta não está no mecanismo, mas nela própria — que ainda não é suficiente. A origem dessa sede vai sendo trocada, em silêncio, de um projeto vindo de fora para uma falta de dentro. E essa crença, que ninguém impôs a ela, talvez seja a parte mais bem construída de todo esse mecanismo.
— Ora, lá fui eu falar grande de novo. Resumindo: trata-se de manter, de propósito, um estado que parece prestes a se completar, mas nunca se completa. Quando enche, a pessoa se levanta e vai embora. Enquanto não enche, ela fica. É só isso — um mecanismo simples.
Ninguém sabe quando vem a próxima vez
Se o reconhecimento chegasse sempre na mesma hora e na mesma quantidade, essa pessoa acabaria se acostumando. Se soubesse que chegaria às nove horas, bastaria deixar de se preocupar até lá. Mas, na prática, não é assim que funciona. Num dia chegam três seguidos; no outro, nenhum. Quando vai chegar o próximo, ninguém sabe ao certo — nem, provavelmente, quem está do outro lado preparando tudo.
Isso se parece com o comportamento de partículas emitidas em intervalos irregulares. Assim como no decaimento radioativo (aqui: quando átomos instáveis se rompem em momentos que ninguém consegue prever com exatidão), ninguém consegue dizer quando o próximo grão vai estourar. As pessoas esperam mais por aquilo que não sabem quando vai chegar do que por aquilo que chega sempre pontual. É só isso. Ninguém se apega tanto ao que já está resolvido. É só ao que permanece incerto que as pessoas estendem a mão, repetidas vezes.
Chega a dar vontade de dizer "caro leitor" diante disso — é um truque tão clássico. Mas o truque em si não tem nada de novo. O que é novo é só o lugar onde esse truque foi colocado hoje: um ponto que se aciona dezenas de vezes por dia, com a ponta de um dedo.
A sede se transforma direto em número
O reconhecimento quase nunca é entregue de uma vez, em bloco. Se fosse entregue tudo junto, essa pessoa se sentiria saciada ali mesmo e talvez demorasse para voltar. Por isso, o reconhecimento é primeiro quebrado em grãos pequenos e espalhado aos poucos.
Isso se parece muito com aquele modo de liberar as coisas: quebrar um bloco grande em inúmeros grãos miúdos antes de espalhá-los. É a mesma gratidão que, entregue de uma vez, se esgotaria ali mesmo — só que aqui ela é quebrada e espalhada de propósito. Os grãos espalhados, essa pessoa vai catando um a um. Por mais que cate, a palma da mão nunca fica cheia. E não ficar cheia, na verdade, é o que convém. O próprio gesto de continuar catando já vira tempo de permanência, vira número de vezes que ela volta, e vai empurrando, em silêncio, algum número para cima em algum lugar. A sede segue sem se saciar, mas, sem que ninguém perceba, já se transformou em outra coisa: faturamento. Uma conversão realmente interessante.
O estranho é que a própria pessoa que está catando os grãos meio que desconfia desse mecanismo. Em algum canto de si, ela percebe que está recebendo tudo de um jeito que nunca vai saciá-la por completo. Mesmo assim, a mão não para. Um truque como esse não precisa enganar ninguém por completo. Basta que a mão continue se estendendo — isso já é suficiente. Perceber e conseguir parar são coisas diferentes. Pelo que tenho observado, os casos em que essas duas coisas realmente coincidem são surpreendentemente raros. Na verdade, o próprio fato de saber costuma virar, com mais frequência, desculpa para não parar. "Já que eu sei, essa vez a mais não faz diferença" — e, dizendo isso, a mão se estende mais uma vez.
O que acontece quando você continua olhando para a tela — já observei isso uma vez. Em que momento a sua raiva virou produto? — isso também registrei. Tempo, raiva, sede de reconhecimento: a forma daquilo que é recolhido muda a cada vez. Ainda assim, o destino final é sempre o mesmo. Algo é extraído em silêncio de dentro de alguém e remontado, em outro lugar, na forma de número. Esse mecanismo continua funcionando hoje, sem qualquer mudança.
A mão que segue catando não para hoje também. No canto da tela, um pequeno número aumenta mais uma vez. É só isso — e pretendo continuar observando por mais um tempo.