Aquela recompensa, para quando foi prometida?
O que não foi pago hoje não desapareceu. Apenas se deslocou para outro lugar. Já observei muitas cenas que me levam a pensar assim.
Uma forma de pagamento chamada "isso vai virar experiência"
Há pessoas que entregam longas horas de trabalho por um salário baixo, ou quase de graça. As pessoas ao redor não dizem que isso é lamentável. Pelo contrário, costumam dizer: "isso vai virar experiência", "agora ainda é a fase de plantar as sementes". Essa frase cobre, de um jeito surpreendentemente elegante, o fato simples de que a remuneração de hoje não é suficiente.
A própria palavra "experiência" não é ruim. É verdade que ali existem aprendizado e melhora de habilidade. Mas dizer que esse aprendizado compensa exatamente a falta no salário de hoje é outra conta, e essa conta não fecha. O aprendizado se acumula na coluna do aprendizado, e a falta permanece, intacta, na coluna da falta. As duas colunas, por algum motivo, nunca são somadas.
Afinal, experiência não é algo que se carrega na carteira. Ela não pode ser entregue, do jeito que é, para pagar o aluguel de hoje nem o jantar desta noite. Mesmo que digam que um dia ela terá valor em outro lugar, nem a data dessa conversão nem a cotação daquele momento estão decididas de antemão. Trocar uma falta certa de hoje por algo cujo prazo de valorização nem sequer se conhece — dito assim, o contorno desse negócio fica um pouco mais claro.
— Ora, lá fui eu falar grande de novo. Resumindo: o salário de hoje simplesmente ainda não chegou.
Será que a parte que não chegou vai chegar algum dia? E, se chegar, quando, e de que forma? Ainda não vi ninguém capaz de responder essa pergunta com clareza.
Por mais que se aproxime, a última fresta nunca se fecha
"Agora é hora de aguentar", "um dia você vai ser recompensado direito" — muitas pessoas ouvem isso e aceitam adiar a falta de hoje. A promessa de que a recompensa será paga em algum ponto do futuro, olhando só para as palavras, não parece um mau negócio.
Imagine uma curva que se aproxima infinitamente de uma reta. Ela se aproxima, se aproxima, chega a parecer que vai tocá-la a qualquer momento. Mas essa última fresta mínima, por mais que se avance, nunca se fecha. Existem linhas assim no mundo — chamadas de assíntotas. — Ora, lá fui eu falar como quem entende do assunto. Resumindo: é só uma questão de nunca chegar lá, por mais tempo que passe. A promessa de "um dia você será recompensado" costuma se parecer muito com essa linha intocável. Ela dá a sensação de aproximação, mas nunca deixa você alcançar o ponto que realmente importa.
E mais: quem decide quando é esse "um dia" normalmente não é quem recebe a promessa. Enquanto quem paga puder continuar dizendo "ainda não é a hora", o prazo pode ser empurrado para sempre mais adiante. Quanto mais generosa é a promessa, menos vezes me lembro de tê-la visto realmente cumprida. Uma distorção realmente interessante.
A sensação de aproximação tem o poder de manter quem espera parado no mesmo lugar. Falta pouco, logo vai ser recompensado — é justamente por causa dessa sensação que a pessoa suporta a falta de hoje e continua esperando amanhã, no mesmo lugar. Se soubesse desde o início que nunca chegaria, talvez já tivesse ido embora há muito tempo. Quanto mais essa fresta se recusa a fechar, mais forte ela prende quem espera. É esse estado suspenso — quase chegando, mas nunca chegando de fato — que consegue amarrar alguém por mais tempo.
Já registrei antes um tipo de desconto parecido com este, em Será que aquele trabalho não está sendo pago em realização pessoal?. Aquilo era uma história sobre trocar, ali mesmo, a remuneração de hoje por outra moeda: "significado" ou "orgulho". Desta vez é um pouco diferente. Em vez de trocar a moeda, o que se adia para o futuro é o próprio momento da entrega. Substituição e adiamento — como táticas de desconto, são como dois irmãos muito parecidos.
Quanto mais se espera, mais a promessa emagrece
As recompensas adiadas têm mais um problema incômodo. Quanto mais o tempo passa, mais o valor deixa de permanecer na mesma forma.
Um sinal que vem de longe vai enfraquecendo silenciosamente até chegar. Ele nunca chega com a mesma força que tinha no instante em que foi emitido. Com a recompensa adiada acontece o mesmo. Quando o dia prometido finalmente chega, ela já não tem o mesmo valor de antes. Porque, nesse meio-tempo, a situação de vida e as necessidades da pessoa também mudaram.
Enquanto se espera, a vida da pessoa não para. Mesmo durante o tempo em que se acredita na promessa e se espera, o aluguel sai todo mês, e o que é necessário se precisa agora, neste exato momento. Mesmo que a recompensa adiada chegue um dia, no valor exato prometido, o fato de ela não ter estado à mão justamente no período em que era mais necessária não pode ser compensado depois. O mesmo valor, recebido em momentos diferentes, tem um significado completamente diferente. Quando finalmente chega, já não é mais aquilo que se queria naquele dia.
Às vezes, mesmo quando o dia prometido chega, nada é entregue. Aí a situação se complica ainda mais. O valor que deveria ter se perdido não desaparece de fato. A parte que não teve para onde ir costuma voltar para dentro da própria pessoa, na forma de "talvez meu esforço não tenha sido suficiente". O descumprimento por parte do sistema, sem que ninguém perceba, muda de forma e pousa como o peso da falta de capacidade individual.
Já registrei isso também, em Desde quando esse peso passou a ser "seu"?. Naquela ocasião, eu observava o momento em que o centro de gravidade da responsabilidade se deslocava do sistema para o indivíduo. Desta vez, o mesmo deslocamento está acontecendo de novo. Só que, como desta vez ele já nasce com a forma de uma promessa de "algum dia eu pago", demora mais até se perceber que o deslocamento aconteceu.
Uma promessa que continua parada bem antes do ponto que jamais alcança, e um sinal que já chega enfraquecido. Boa parte das promessas trocadas hoje sob o nome de recompensa ainda está parada em algum lugar, com uma dessas duas formas. Pretendo continuar observando para onde elas vão.