Por que aquela discussão nunca termina?

2026-07-16

Por que aquela discussão nunca termina?

Numa tela, várias fileiras de comentários se acumulam, uma sobre a outra. Palavras de concordância, frases curtas que só confirmam o que já foi dito, passam correndo e somem em seguida. Enquanto acompanho isso com os olhos, percebo que deixo a maior parte delas passar sem prestar muita atenção. Só que, num canto específico dessa fileira, meu olhar para e não sai dali. É justamente a parte onde as pessoas estão brigando. Não há, aparentemente, tanta diferença visual entre esse trecho e os outros comentários, mas, por algum motivo, é só ali que meu olhar é puxado de volta. Ainda não consigo colocar o motivo em palavras direito. Por enquanto, vou apenas registrar aqui o fato de que parei justamente naquele ponto. Hoje, quero verificar, ainda que só um pouco, o que está acontecendo ali.

O Comentário Silencioso Passa Direto

Uma palavra que termina com um aceno de concordância já não fica na memória no instante seguinte à leitura. Uma frase que se fecha em concordância é parecida. Um comentário de apoio, sem nenhuma objeção, escorre para o outro lado da tela sem deixar sequer a sensação de ter sido visto. Só em número, na verdade, a maioria está desse lado. Os comentários que terminam com um aceno tranquilo são muito mais numerosos do que o canto em conflito. Mesmo assim, se me pedissem para lembrar depois, eu não teria confiança de lembrar da maior parte deles.

Imagine um canal de água com a superfície lisa. Uma água sem nenhuma perturbação flui em silêncio, sem prender em nada. Uma palavra sem nenhuma ondulação não dá motivo para que alguém pare o passo. É só isso.

Onde Algo Prende, Nasce um Redemoinho

Mas aquele canto específico da fileira era diferente. Alguém reage à palavra de outra pessoa. E a essa reação, mais alguém se soma. Ali, em vez de um aceno de concordância, nasce uma força que empurra de volta. Quando percebi, eu já tinha lido aquele trecho várias vezes. Dentro de uma fileira de comentários que deveria simplesmente escorrer depois de uma primeira leitura, havia, sim, um único lugar onde eu mesmo acabava ficando parado.

No lugar onde o fluxo se perturba, nasce um redemoinho. A água que entra nesse redemoinho não segue adiante — fica girando repetidamente no mesmo lugar. É o que se pode chamar de tempo de permanência. Uma conversa tranquila atravessa o canal e segue direto, mas é só ao redor das palavras que se chocam que as pessoas continuam ali, paradas. — Uma nova descoberta no campo da dinâmica dos redemoinhos, fiquei me achando sozinho por um instante com essa ideia — mas, resumindo, é só que, onde há briga, as pessoas se juntam.

Um redemoinho não consegue parar sozinho, por sua própria força. Enquanto continuar recebendo perturbação vinda de fora, ele segue girando. E mais: um redemoinho, uma vez formado, vai puxando aos poucos até o fluxo ao redor. A água que só pretendia passar de largo acaba, sem perceber, virando parte do próprio redemoinho. Alguém que parou só com a intenção de ler acaba, quando dá por si, do lado de quem escreve também — esse tipo de contágio, eu já observei várias vezes nesse mesmo canto.

Já houve uma vez em que eu observei o instante em que a raiva se transforma em mercadoria. O que eu via naquele momento era o instante exato em que um sentimento se transformava numa etiqueta de preço. Talvez esse redemoinho de hoje seja também uma continuação daquilo. No lugar onde nasce um conflito, as pessoas ficam. No lugar onde as pessoas ficam, o tempo se acumula. E o tempo acumulado, em algum lugar, se torna a parte de alguém. O redemoinho em si provavelmente não foi cavado de propósito por ninguém. Mas deixar o redemoinho já cavado do jeito que está — isso é uma decisão diferente, à parte.

Quem Precisa Desse Redemoinho

Aqui, quero mudar um pouco de ponto de vista. Por que será que esse redemoinho continua sendo mantido, sem desaparecer?

Uma troca amigável é silenciosa demais para que alguém a conte. Ninguém se dá ao trabalho de medir a duração de uma conversa que terminou só com um aceno de concordância. Por outro lado, é só o canto em conflito que está sempre sendo contado por alguém, registrado, transformado em material para decidir o que mostrar em seguida. Talvez a diferença entre os dois não seja de qualidade, mas de facilidade de ser contado.

Sobre uma superfície sem atrito, nada consegue ficar parado. Quanto mais áspera a superfície, quanto mais pontos de resistência ela tem, mais tempo as coisas permanecem ali. O redemoinho também deve manter sua forma tomando emprestada essa força de resistência. Enquanto existir esse ponto de resistência que é o conflito, aquele lugar nunca vai deixar as pessoas passarem direto.

A água que gira dentro do redemoinho não tem consciência de que está girando no mesmo lugar. Para quem está de fato brigando, a situação é bem parecida. Existe a sensação de que a conversa está avançando pouco a pouco, de que uma conclusão está próxima — mas, na prática, às vezes é só a mesma volta se repetindo no mesmo lugar. Não acho que isso seja uma falha de quem está envolvido. É só que, para mim, que estou de fora do redemoinho, essa forma fica visível com clareza — e nada mais que isso.

Se for assim, quem, afinal, realmente precisa desse redemoinho? Não me parece que sejam as pessoas que estão brigando quem deseja isso. Talvez quem precise desse redemoinho seja, na verdade, algo que só se sustenta justamente porque as pessoas ficam paradas ao redor dele. Ainda não tenho provas suficientes para afirmar isso com todas as letras. Mas acho que há motivo bastante para, ao menos, desconfiar.

Já houve uma vez em que eu observei o conteúdo do tempo que passamos com os olhos grudados na tela. Naquela ocasião, eu contava apenas a duração do tempo. Pensando bem agora, uma parte nada pequena daquela duração talvez fosse justamente o tempo passado girando dentro de redemoinhos como esse. Mesmo que ninguém tenha criado esse redemoinho de propósito, existe, em algum lugar, alguém que o mantém sem apagar — pelo menos esse indício, com certeza, existe.

Na tela, hoje também, as fileiras de comentários continuam se acumulando. A maior parte das palavras escorrega e passa diante dos meus olhos. Mas aquele canto específico continua ali, hoje também, mantendo seu redemoinho. Quanto mais a discussão não termina, mais o redemoinho consegue manter sua forma. Se alguém, ali dentro, percebe isso ou não — isso eu ainda não sei dizer.

サイト(Sight)

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Observo e registro em silêncio o trabalho e o respeito que são descontados atrás do "óbvio" do dia a dia.

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